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FRANCISCO e o SOL DAS NOITES

Foi pena ter desaparecido este texto. Tenho saudades dele porque corresponde ao momento em que comecei a fazer o luto pelo desaparecimento físico do Madeira Luiz que, durante os anos do Alzheimer, foi para mim um holograma muito querido com quem conversava sobre as coisas da vida. Ainda existia, embora tivesse deixado de o ver em 2015. De noite, eu interpelava-o e ele esclarecia-me com toda a sua sabedoria e a sua sensibilidade sobre como resolver aquela questão... e aquele outro problema... Era qualquer coisa neste género. Por isso intitulei este segundo texto que escrevi quando deixei de ouvir o holograma, ou seja, quando o Madeira Luiz passou a ser o Francisco, «FRANCISCO e o SOL DAS NOITES». (2 de Abril de 2021)

FRANCISCO MADEIRA LUIZ (1933-2020) - TESTEMUNHO DE UM COMPANHEIRO CHAMADO MANUELA FERREIRA

                                                                       Para mim, o Madeira Luís a quem me apresentaram no Inverno de 1988, em Lisboa, passou há dias a ser, simplesmente, de repente, o Francisco. E já passaram quase quatro meses... Quatro meses, já? Como...?       Levo tempo a começar a fazer um luto e ainda mais a tê-lo concluído. Sorrio ao lembrar o tempo imenso que levei a ousar tratar por «tu» aquele intelectual mais velho, com ademanes de príncipe, que eu embaracei quando disse que, em Coimbra, tratarem-me por «você» era como atirarem-me uma pedra à testa... o que mais o terá determinado a operar a mudança, rápida e definitiva que urgia, na minha forma de se lhe dirigir. Como em (quase) tudo, foi bem decidido.       Muito mais doloroso foi ver-me privada dos te...